Sinopse

 

 

Em 1821, durante as agitações causadas pelo retorno da família real a Portugal, o Príncipe Regente do Brasil, Dom Pedro, livra-se de uma de suas incômodas amantes casando-a com um humilde companheiro de patuscadas, ao qual dá o título de marquês. Além da união, impõe-lhe outra condição: ir morar em Ilhéus, e ali atuar como uma espécie de agente seu. A bela, misto de cocotte e dançarina do Teatro São João, na Corte, é uma trânsfuga não apenas daquela vila, mas provém da mais antiga nobreza portuguesa. A Inglaterra também envia a Ilhéus um agente seu, para investigar o tráfico ilegal de africanos; só que este, um sábio sudanês, negro e muçulmano devoto, tem lá seus objetivos próprios, além do serviço de Sua Majestade: insuflar a rebelião dos escravos do engenho de Sant'Anna, propriedade do poderoso Marechal Felisberto Caldeira Brandt. Eles têm tradição de luta: na segunda metade do século anterior, realizaram o que pode ter sido a primeira greve das Américas, e certamente a primeira (talvez única) de escravos no continente; mais ainda, saíram vitoriosos.  

Contra este pano de fundo de intriga, amor, história e rebelião, Marcos Santarrita constrói o seu épico, reconstituindo uma época e abordando tema estranhamente pouco explorado pela ficção de um país onde a escravidão negra deixou tão fundas marcas.


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