A Revista Brasil de Literatura deseja a todos os seus leitores um final de ano e uma travessia, em que o sonho e a ação se tornem capazes de ajudar a construir um mundo melhor.

 
 

SONETO DE NATAL

 
Machado de Assis
 
 

UM HOMEM, - era aquela noite amiga,
Noite cristã berço do Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o sonêto. A fôlha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca.
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só Ihe saiu êste pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"